terça-feira, 26 de julho de 2011

Ficar VIVO não basta!

       "Nós amamos tanto você, venha, junte-se à nossa família, sinta-se leve como a gente, viva sorrindo..." - eis o discurso sedutor da imagem, das cores, da música, da embalagem do "pacote" preparado especialmente para o consumidor comprar sorrindo seu último e mais antigo desejo: comunicar-se a distância, a qualquer hora, em qualquer lugar. Agora, o instrumento que tem distância (tele) e som (fone) no nome é portátil, uma "célula" sem fio, com uma máquina fotográfica ou filmadora que pode rapidamente ser esquecida, além de mil outros recursos quase descartáveis, às vezes até inúteis. Algo contra? Nada!
     Melhor poder ligar a qualquer hora para dizer uma tolice do que em uma situação de emergência ter de procurar um orelhão na rua. Ora, um telefone à mão, com tantos recursos, pronto para o uso, não é tão fácil assim de se dispensar.
       Mas nada é tão simples, antes há um detalhe, é preciso aderir a um entre milhares de planos de uso cheios de infinitos pormenores indicados por letras minúsculas, legendadas por asteriscos ludibriantes, elaborados especialmente para o cliente de fala econômica, de fala solta, de fala muda entre pouco mais de nove teclas, as quais contêm quase todo um teclado de computador. Realmente um sonho que nem eu ousei acalentar quando pequeno, mesmo tendo sido um privilegiado que aos nove anos, em 1986, já tinha um contato mais ostensivo com o universo da informática. Desculpem-me a digressão, é só para ilustrar o fato de que um objeto comum ao cotidiano das crianças de hoje, há uma geração, nem era cogitado em ficção. O mais próximo disso era um relógio-rádio de um seriado japonês.
       Tendo sido tratada a contemporaneidade, volvemo-nos ao passado distante, à criação dos mercados. Neles trocavam-se produtos por produtos, por serviços ou por dinheiro. A relação entre oferta, procura e necessidade, fosse esta última do tipo essencial ou caprichosa, já começava a vigorar, afetando quantidades e valores. A vontade de obter certa vantagem na aquisição, fosse na compra como na venda, poderia motivar o negociante a exaltar ou depreciar o bem a ser negociado. Mesmo a ganância dos envolvidos nesse processo de argumentação submetia-se à lei maior do livre-arbítrio: o negócio só era consumado com o consentimento das partes, ainda que uma delas se considerasse prejudicada.
       A ganância, entretanto, às vezes se manifestava de diferente forma. Um caso clássico era a criação do engodo, pesos adulterados na balança, produtos de boa qualidade misturados aos de qualidade inferior ou qualquer outro meio para levar vantagem, ou seja, maquinações desse sentimento tão pouco feliz. Nessa nova modalidade de negócio, o que ocorria de fato era um engano proposital travestido de troca. O enganado talvez jamais soubesse ter sido vítima de uma ação escusa.
      Hoje o mercado conta com o auxílio da informática e até depende quase que totalmente dela. Pagam-se contas pela internet, transações bancárias simples ou envolvendo grandes somas são feitas com poucos toques em teclados. Confia-se no universo digital como em um ser onipresente, onipotente e até misericordioso, por encurtar distâncias, conferindo velocidade a processos antes tão demorados e dispendiosos. Contudo, é necessário fazer um alerta! Aquele velho mercador criador de erros pode estar por trás de alguns computadores, disparando torpedos para o seu celular. Torpedos inofensivos, oferecendo serviços descartáveis, mas que serão cobrados em sua próxima fatura. Torpedos de três, quatro reais, que podem passar despercebidos; torpedos do engodo que serão pagos mês a mês por aqueles que confiaram no canto da sereia vendedora de sonhos.
      Não, não sou daqueles alarmistas, apenas tive algumas experiências nestes três últimos meses que me mostraram que estar vivo não bastaria, estar alerta seria mais prudente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário