terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre política e politicagem

    O artigo a seguir foi escrito em 2010, mas como o acho sempre atual, aí vai ele com nova data...

    Estamos em ano de eleições e copa do mundo. Emoções à flor da pele!
    Lembrei-me então de um texto que escrevi há algum tempo. Reli-o e senti como se o tivesse escrito ontem, não sei por quê. Morava ainda em outra cidade, eram eleições para prefeito e vereador, ou seja, para o executivo e legislativo municipal.  este ano, entretanto, as eleições são para o executivo e legislativo NACIONAL, isto é, para presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distrital (no caso de Brasília)... E alguém sabe qual é a incumbência de cada um?
    Eis a seguir a minha mais velha nova reflexão!
    É comum ouvir que a juventude não se interessa por política. Ora, e quantos são os que realmente se interessam por esse tema? Seriamente, acredito que poucos.
    Não é para menos, na mídia vê-se e ouve-se mais sobre politicagem e bandidos disfarçados de políticos do que sobre a política propriamente dita. Debates mais profundos e esclarecedores só mesmo em programas de TV que vão ao ar em horários pouco atraentes, ou na mídia impressa, voltada a um público bem definido.
    Se por um lado seduzem-se os jovens com imagens banais e promíscuas, por outro, há pouco ou nenhum esforço para se conduzir quem quer que seja ao entendimento de seu papel político.
    Em uma sociedade acostumada à sedução, até mesmo os políticos preferem seduzir pela imagem e emoção a conduzir pela informação e argumentação franca.
    Há poucos dias (agora sou obrigado a dizer anos), recebi uma carta de um candidato a vereador. Na verdade não era bem uma carta, era um envelope com santinhos de campanha e material de partido, um bilhete impresso em gráfica agradecia-me antecipadamente e um outro me convidava a adquirir mais material de divulgação. Seu nome, colorido, bem estampado, estava junto com seu número e sua foto, na qual se verificava um semissorriso, num misto de austeridade e simpatia. Será que eu deveria ficar comovido?
    Algumas palavras permeavam suavemente o santinho todo: Amor, Paz, Saúde, Determinação, Fé, Trabalho, Dedicação, Lar, Humildade, Educação... Olhei no calendário, por um momento o folheto me fizera pensar no Ano Novo, mas, não, era finalzinho de agosto mesmo.
    Não havia na propaganda ou em outra parte qualquer do envelope uma proposta de governo ou a linha de atuação desse candidato, saúde, transporte, educação, meio ambiente, nada! Para não dizerem que eu estou omitindo informações, um folheto um pouco maior continha fotos do ilustre homem no Parque do Ibirapuera e na companhia de outras pessoas, em reuniões aparentemente importantes (mais uma vez a imagem). O que ele disse ou fez por ali... bom...
    Sei que é publicitário, já foi reeleito algumas vezes, sorri, cumprimenta conhecidos e desconhecidos, promove churrascos, não parece ser desonesto. Mostra-se bastante competente como publicitário, vende em todas as eleições seu principal produto: ele mesmo. Mas será que é competente como político, no sentido mais puro da palavra?
    Talvez... Sinceramente, eu não acredito. Entretanto tenho certeza de uma coisa: o ilustre homem vai ser reeleito, pode escrever. Faz tempo ele aprendeu a jogar um jogo em que ele sabe direitinho como mexer os peões.
    Sabe, ele até me deu uma ideia. Vou usar a fórmula dele em minhas aulas: "Oi, pessoal! E aí, moleque... Te desejo muito amor, paz! E aí, menina, que sorriso bonito! E a família? Poxa, que mochila legal! Nossa, pessoal, muita felicidade para vocês! – estou certo de que todos dirão: "Nossa, que professor legal! Ele se importa com a gente, ele gosta da gente!" – e a aula vai acabar... aula? –    Queremos o Leo! Queremos o Leo!"
    E no futuro talvez eu seja lembrado: "Meu, eu tive um professor tão legal!"
     Era um professor de verdade ou só um cara legal?
    Não sei, mas ainda não consigo um bom emprego entregando santinhos, por que será que o ilustre homem consegue?
     Responde aí, jovem!

 

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